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Um lindo dia na vizinhança, um filme sobre a bondade

Terminei o último domingo com uma grata supresa cinematográfica, o filme Um lindo dia na vizinhança, estrelado por Tom Hanks.

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Terminei o último domingo com uma grata supresa cinematográfica, o filme Um lindo dia na vizinhança, estrelado por Tom Hanks.

O filme foi lançado no Brasil em janeiro de 2020 sem muita repercussão. Por esse motivo, começo dizendo a coisa mais importante: a história é um sopro de esperança em um ano tão cheio de pessimismo.

A produção nos apresenta um personagem fascinante, Mister Rogers, um apresentador infantil que fez parte da infância de boa parte das crianças nascidas nos Estados Unidos entre 1968 e 2001, período em que comandou seu programa diário Mister Rogers Neighborhood (A vizinhança de Mister Rogers).

O grande talento de Fred Rogers era falar com as crianças sobre os mais variados assuntos de uma maneira empática e educativa. Os cenários de brinquedo, as canções e as marionetes do apresentador ambientavam conversas, lições sobre a vida e sobre as verdades humanas. Dos temas corriqueiros aos mais espinhosos como morte, divórcio e doenças, tudo era tratado em seu programa.

As características pessoais que fizeram de Rogers um ídolo são retratadas em detalhes. Mesmo não fazendo parte do imaginário do brasileiro, é possível entender o impacto que sua atração diária exerceu sobre pelo menos três gerações de norteamericanos. Aqueles que, assim como eu, cresceram assistindo Xou da Xuxa e suas cópias produzidas em série nos anos 1980 e 1990 poderão até sentir uma pontinha de inveja dos “vizinhos de Mister Rogers”.

A produção, no entanto, não é uma cinebiografia. A história é centrada em Lloyd Vogel, interpretado por Matthew Rhys, um jornalista investigativo escalado para escrever um perfil do famoso apresentador.

O ceticismo do jornalista é confrontado com a personalidade bondosa e gentil de Rogers. A reportagem é o gatilho para que Vogel revisite seu passado turbulento e avalie seu papel como pai e marido. Ao escolher esse caminho, a diretora Marielle Heller focaliza o impacto que o apresentador exercia nas pessoas comuns e não os detalhes de sua vida.

O roteiro foi inspirado em uma reportagem escrita por Tom Junod para a revista Esquire em 1998.

Um parênteses, as transições de tempo e espaço usam as maquetes do programa, um ótimo recurso visual e de roteiro para manter a atmosfera lúdica ao longo da narrativa.

Após assistir ao filme pesquisei mais sobre Fred Rogers e me deparei com um grande artista.

Além de apresentador de TV, Rogers era pedagogo e Ministro da Igreja Presbiteriana. Era ele mesmo quem dava vida às suas marionetes e compunha as famosas canções do programa. Os vídeos disponíveis na internet também me deram a certeza que Tom Hanks era o melhor ator possível para viver Mister Rogers.

Fiquei pensando também no quanto somos carentes, cá no Brasil, de pessoas falando sobre valores, cidadania e formação da personalidade. Que valores as novas gerações estão aprendendo? Essa é uma reflexão que cabe a todos nós.

Há um cartaz do filme que diz: “uma história de bondade que triunfa sobre o cinismo”.

É isso.

O verdadeiro Senhor Rogers

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