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Sobre os ombros de gigantes

Somos capazes de dar perspectiva ao que nos acontece apenas quando ampliamos o nosso contexto. Desse processo nasce a criatividade.

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Grandes histórias nos ajudam a compreender nossa vida interior. 

Uma obra de ficção pode nos ensinar sobre nossos sentimentos, sobre os valores de uma sociedade ou transmitir conhecimento uma geração para outra.

Os mitos nos colocam em contato com nossa humanidade, nos conectam com a experiência de estarmos vivos.

O fundamento do nosso imaginário – nós, ocidentais vivendo no século 21 – está na literatura greco-latina e na Bíblia. Mesmo a ciência mais avançada foi concebida a partir de valores comuns, cujas raízes remontam a uma mesma tradição.

Nossos valores são as lentes pelas quais enxergamos o mundo.

As histórias clássicas têm a ver com os temas que fundamentam a vida humana. São o alicerce sobre o qual construímos os próximos passos.

Quanto menos contato temos com a tradição que nos fez chegar até aqui, mais pobre é a nossa existência.

Isaac Newton escreveu em correspondência para Robert Hooke, datada de 05 de fevereiro de 1676:

Se eu vi mais longe foi por estar sobre os ombros de gigantes”.

A citação de Newton, embora seja a mais famosa, remonta às escolas catedrais da Idade Média.

O Metalogicon é uma obra escrita em 1159 por João de Salisbury sobre o estudo das artes liberais. Nela, há a citação: 

“Bernardo de Chartres costumava nos comparar a anões empoleirados nos ombros de gigantes. Ele ressaltou que podemos ver mais e mais longe do que nossos predecessores, não porque temos visão mais aguçada ou maior altura, mas porque somos levantados e carregados sobre sua estatura gigantesca”.

Há uma correspondência ainda mais antiga com a mitologia grega, em que o gigante cego Órion, carregava seu servo Cedálion nos ombros para que ele fosse seus olhos. Cedálion conduziu Órion até onde o sol nascia e devolveu-lhe a visão.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

A frase também foi dita pelo ator que interpreta Mark Zuckerberg no filme A Rede Social, lançado em 2010.

“Sobre os ombros de gigantes” é também o lema do Google Scholar nos dias de hoje. Confira lá.

Umberto EcoStephen Hawking, a banda de rock REM, todos já citaram a mesma metáfora em seus trabalhos. Posso apostar que ela seguirá aparecendo tantas outras tantas vezes na literatura, nas ciências e na cultura pop.

Viu só? 

Em um exemplo simples, percebemos o quanto nossa tradição é um emaranhado de conceitos comuns, que são revisitados e expandidos geração após geração.

Somos capazes de dar perspectiva ao que nos acontece apenas quando ampliamos o nosso contexto. Desse processo nasce a criatividade.

A busca humana pela verdade evolui a partir das descobertas anteriores.

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