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Os tais conservadores

No cerne do argumento do conservador, portanto, está a preservação do melhor entre aquilo que construiu quem nós somos.

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Em quaisquer das minhas aulas, dispararei lá pelas tantas a seguinte constatação: jamais ignore os fundamentos.

Uma corrente de pensamento não passa a ser considerada clássica sem um bom motivo para isso.

Trabalhei muito tempo com equipes e projetos de inovação corporativa e era comum ver modismos se propagando sem que ninguém soubesse para valer quais as raízes históricas daquele pensamento.

Não foram poucas as vezes em que percebi que a novidade da semana era algo escrito e reescrito décadas atrás por gente do quilate de Peter Drucker. Outras tantas vezes, a nova metodologia revolucionária era uma velha conhecida de corporações centenárias (ícones do capitalismo industrial) depois de um banho de loja, composto por escritórios compartilhados, paredes com post it’s, pufes coloridos e apresentações cheias de gifs animados.

Vivemos o império da superficialidade e me incomoda muito ver uma parte tão grande da população adulta repetindo clichês sem qualquer compromisso em compreender e aplicar seu discurso.

Sei lá, deve ser essa minha inclinação ao conservadorismo (ou quem sabe apenas rabugice amplificada pelas semanas de quarentena).

Aliás, você é daqueles que sente calafrios e pensa logo em partidos políticos e seus representantes quando ouve falar em conservadorismo?

Recorro a Sir. Roger Scruton para jogar luz sobre o essencial.

O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas,mas não são facilmente criadas.

Isso é verdade, sobretudo, em relação às boas coisas que nos chegam como bens coletivos: paz, liberdade, lei, civilidade, espírito público, a segurança da propriedade e da vida familiar, tudo o que depende da cooperação com os demais, visto não termos meios de obtê-las isoladamente.

Em relação à tais coisas, o trabalho de destruição é rápido, fácil e recreativo; o labor da criação é lento, árduo e maçante.

Essa é uma das lições do século XX.

Também é uma razão pela qual os conservadores sofrem desvantagem quando se trata da opinião pública. Sua posição é verdadeira, mas enfadonha; a de seus oponentes é excitante, mas falsa”.

A humanidade não se reconstrói a cada geração que chega aos bancos do ensino superior com a empáfia de que irá mudar o mundo.

Valores, visões de mundo e conhecimentos são transmitidos e ampliados ao longo dos séculos.

Há uma sabedoria natural construída pelos erros e acertos da humanidade ao longo das gerações.

A ética, as artes, os costumes, as leis, a literatura, as religiões, a ciência e as demais manifestações humanas vão construindo um mapa a ser usado pelos sensatos.

Se a lógica vale para nossos bens culturais mais valiosos, porque não valeria para o mundo do trabalho?

G. K. Chesterton, outro autor bastante admirado entre os conservadores disse que “a tradição é a democracia dos mortos”.

Esse processo histórico, ainda que você não saiba, povoa seu imaginário e orienta suas ações.

Em sua dimensão essencial o conservadorismo tem a ver com a percepção de que as tradições são o motor do desenvolvimento humano.

No cerne do argumento do conservador, portanto, está a preservação do melhor entre aquilo que construiu quem nós somos.

Sim, como diz a canção, “o novo sempre vem”. Talvez não na velocidade que os mais afoitos e inexperientes gostariam.

Acima de tudo, pairando acima dos desejos revolucionários, sempre haverá o alicerce da tradição.

Saber de onde vêm as ideias aumenta sua chance de fazer algo bem-feito nessa vida.

Seja lá o que for.

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