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O que um bug no Spotify me ensinou sobre inovação

No artigo de hoje, vou te contar como um bug no Spotify me ensinou algumas lições sobre inovação e sobre nossas preferências individuais.

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Uma das minhas funções preferidas no Spotify é a playlist “Descobertas da Semana”.

Toda segunda-feira eu recebo uma lista de trinta canções selecionadas pelo algoritmo da plataforma. 

A premissa é a seguinte: as pessoas gostam de descobrir novas canções, mas não gostam do trabalho envolvido em fazer isso sozinhas.

A seleção feita pela inteligência artificial do Spotify é quase sobrenatural (e vai melhorando com o tempo). A sensação é a mesma de quando recebíamos de presente aquela fita K7 gravada pelo nosso melhor amigo na adolescência. Os mais velhos lembrarão desse sentimento.

Os robôs do Spotify conseguem prever o meu gosto pessoal a partir do aprendizado gerado pelas preferências de milhões de usuários. Eles chamam esse processo de “filtragem colaborativa”.

Como este não é um artigo sobre tecnologia, quero falar sobre como formamos nossos gostos pessoais.

Em sua versão original, as “Descobertas da Semana” deveriam incluir apenas músicas que os usuários nunca tinham escutado.

Nos primeiros testes havia um bug no algoritmo, que também incluía algumas canções conhecidas na playlist.

Os primeiros usuários (beta testers) reportaram o erro e a equipe de desenvolvimento resolveu a questão permitindo que apenas músicas desconhecidas entrassem na seleção.

A falha apontada pelos usuários foi consertada e um efeito inesperado aconteceu: o engajamento caiu significativamente. 

As pessoas não gostavam tanto de uma lista 100% inédita.

As canções conhecidas geravam um sentimento de familiaridade decisivo para o sucesso do novo serviço. Ouvir algumas músicas conhecidas em meio a tantas novidades criava uma relação de confiança. 

Esses caras realmente me conhecem!

Nas palavras de Matt Ogle, engenheiro responsável pelo projeto, “os usuários queriam confiar no recurso, mas eles estavam esperando ver algum sinal de que o recurso também os conhecia”.

Essa é uma lição valiosa quando penso em minhas próprias iniciativas.

Pessoas desejam reconhecer elementos familiares em meio à novidade.

Em outras palavras, a inovação é mais desejável quando reconhecemos nela um pouco mais daquilo que já gostamos.

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