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O início da história e a conquista do leitor

Dicas sobre como construir um bom início para a sua história, artigo ou post em mídia social.

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Mamãe morreu hoje. Ou talvez ontem; Eu não tenho certeza. Recebi um telegrama do asilo: “Mãe morta. Funeral amanhã. Sinceros pêsames.” O que deixa a questão mais duvidosa; poderia ter sido ontem.

O primeiro parágrafo de O Estrangeiro, romance de Albert Camus, publicado em 1942, é um clássico da literatura, que provoca o leitor a refletir sobre o absurdo da vida a partir do relato em primeira pessoa do protagonista Mersault.

A trajetória de Mersault reflete uma existência movida por experiências sensoriais e desprovida de consciência ou objetivos.

O Estrangeiro é, acima de tudo, uma obra sobre a indiferença (do personagem em relação à existência e do universo em relação ao ser humano).

Tudo isso está lá, exposto no primeiro parágrafo do livro.

Camus te faz morder o anzol já nas primeiras frases da obra. A partir desse ponto, você estará curioso para saber mais sobre o protagonista e descobrir para onde ele conduzirá você.

O início de uma narrativa (livro, artigo ou post em rede social) não pode ser um palavrório enfadonho.

Em uma palavra, a função do início de uma história é INSTIGAR.

O primeiro parágrafo da sua narrativa deve ser um resumo do que será contado somado a um gancho que desperte o interesse por continuar a leitura.

A essência da sua mensagem deve estar nas primeiras linhas. Boa parte dos leitores só vai ler o início. Se a introdução não provocar sentimento ou despertar interesse, a maioria seguirá em busca de outras histórias.

Criar o início de um conteúdo demanda, portanto, uma atenção maior que o restante do seu texto. É no primeiro contato que o leitor vai escolher você entre tantas opções. Seu primeiro capítulo desperta a vontade de comprar o livro? Seu primeiro parágrafo interrompe a rolagem da timeline e faz o usuário clicar para ler sua história até o fim?

Conselhos práticos para começar bem sua história

Agora que você já entendeu que o início é fundamental, vamos a algumas dicas valiosas.Não confunda o leitor com informações desnecessárias. A mensagem principal deve ser clara e temperada com um bom gancho.

O gancho serve para provocar emoção e intensificar a promessa do que virá a seguir. É uma forma de conectar o leitor com a narrativa.

Um livro já te roubou uma boa noite de sono? Quantas vezes você não conseguiu largar a história ao final de um capítulo, pois “precisava saber o que viria depois”? Esse é o impacto de um bom gancho.

Lembre-se também que o leitor chegou agora e não tem o mesmo contexto que o autor. É preciso situá-lo. Você faz isso com informações estratégicas sobre os personagens da história, sobre o ambiente e sobre o tempo em que as ações ocorrem.

Seja claro. O excesso de detalhes é frequentemente responsável pela morte de um bom conteúdo. Descrições dão vida a uma narrativa, porém devem ser usadas com moderação.

Eu sei, é o seu conteúdo autoral e dá vontade de mostrar seus conhecimentos profundos sobre o tema. Contudo, é prudente usar a seguinte régua: o leitor só precisa das informações essenciais ao desenvolvimento da história. Nem mais, nem menos. Eliminar o que está sobrando é tão importante quanto escolher o que deve ser escrito.

Pergunte-se: há um conflito, um problema a ser resolvido ou uma lição a ser aprendida? A semente dessa mensagem deve ser plantada nas primeiras linhas e deve mostrar ao leitor que valerá a pena seguir com você até o final.

A narrativa não precisa ser linear. Os primeiros parágrafos podem pincelar momentos representativos da história que  só ocorrerão adiante. Clube da Luta, romance de Chuck Palahniuk é um ótimo exemplo de obra de ficção que utiliza este recurso. O cuidado aqui será não adiantar o clímax, não confundir o leitor e não escolher uma cena banal.

Volte ao início após escrever a história toda, corte todos os excessos sem dó, reescreva e melhore sua introdução, ela é o que há de mais importante no seu conteúdo. Sim, mais até que o fechamento.

Por fim, jamais esqueça que somos seres emocionais. Trabalhe sentimentos, necessidades, desejos e instinto de pertencimento. 

Boas histórias são sobre verdades humanas.

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