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As rosas não falam, mas inspiram a canção

A história de um dos maiores clássicos da musica brasileira e uma lição sobre a importância de treinar o olhar para perceber as boas histórias que estão em todo lugar.

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Existem boas histórias em qualquer lugar. É a vida vivida em piloto-automático que nos cega para a inspiração que existe ao redor.

Cartola é um dos meus heróis pessoais e a história de uma de suas músicas mais conhecidas é um grande exemplo de que a poesia está no dia-a-dia daqueles que possuem sensibilidade para notar.

Curiosamente, um encontro entre dois brasileiros na Alemanha seria a fagulha inicial que resultaria na canção.

Nuno Veloso, amigo e parceiro do compositor mangueirense, encontrou o violonista Baden Powell e combinou uma visita ao sambista quando ambos voltassem ao Brasil.

O encontro ocorreria na casa de Baden na Barra da Tijuca.

De volta ao Brasil, Nuno procurou Cartola e Dona Zica para que o casal o acompanhasse na visita ao famoso violonista. Os três rodaram por horas e não conseguiram encontrar a casa de Baden Powell.

Para aliviar o fiasco e agradar Zica, Nuno parou em uma floricultura e comprou-lhe umas mudas de roseira.

As mudas foram plantadas no quintal da casa do casal e, tempos depois, Zica ficou surpresa com a quantidade de rosas desabrochadas, perguntando à Cartola:

– Cartola, vem ver! Por que é que nasceu tanta rosa assim?

– Não sei Zica, as rosas não falam.

A frase ficou martelando em sua cabeça. O sambista recorreu ao violão e a música nasceu inteira.

Cartola disse que “As rosas não falam” foi o presente que deu a si mesmo naquele ano, pois foi composta às vésperas de seu aniversário de 67 anos.

A canção seria gravada inúmeras vezes e se tornaria um clássico da música brasileira.

A versão cantada pelo próprio autor foi lançada em seu segundo disco, de 1976. É a minha favorita. Aquele arranjo maravilhoso de conjunto regional, o violão sobrenatural de Dino 7 Cordas e a sensibilidade de quem canta a própria obra.

A letra transborda o lirismo que Cartola sabia imprimir como ninguém em um samba-canção.

Bate outra vez

Com esperanças o meu coração

Pois já vai terminando o verão

Enfim

Volto ao jardim

Com a certeza que devo chorar

Pois bem sei que não queres voltar

Para mim

Queixo-me às rosas

Mas que bobagem

As rosas não falam

Simplesmente as rosas exalam

O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir

Para ver os meus olhos tristonhos

E, quem sabe, sonhavas meus sonhos

Por fim

Cartola era um gênio de talento raro, capaz de enxergar poesia em tudo que viveu. Eu sei.

A lição, contudo, é válida para pessoas comuns como eu e você.

Não pense que vai escrever suas grandes histórias apenas quando viajar para uma ilha paradisíaca, quando tirar seu período sabático, quando frequentar as festas mais exclusivas ou quando começar a praticar um esporte radical.

A maior parte dos autores consagrados pela régua do tempo viveu uma vida ordinária, trabalhou em um emprego regular, tinha família e obrigações, assim como eu e você.

O universo das pessoas comuns é cheio de boas histórias pedindo para serem contadas.

Treine seu olhar e para percebê-las e mãos à obra.

O extraordinário está ao alcance daqueles que são capazes de olhar ao redor.

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